2 anos: legado de Marielle inspira lutas pelo Brasil e pelo mundo

Portal Plantão Brasil
14/3/2020 12:12

2 anos: legado de Marielle inspira lutas pelo Brasil e pelo mundo

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484 visitas - Fonte: PT

“Tentaram nos enterrar, mas não sabiam que éramos sementes”. As palavras de ordem que ecoam nas mobilizações das mulheres brasileiras, ecoaram ainda mais alto após o assassinato de Marielle Franco que completa dois anos neste sábado (14).







A trajetória de luta da socióloga, defensora dos direitos humanos e ativista feminista não foi interrompida com o crime que tirou sua vida no dia 14 de março de 2018 e que segue sem resposta. A resistência da vereadora carioca se tornou semente e seu legado segue dando frutos pelo Brasil e pelo mundo.



Foi assim em Valinhos, interior de São Paulo, quando o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocupou uma área improdutiva da região em abril de 2018, um mês após seu assassinato, e nomeou de Acampamento Marielle Vive.







“A Marielle atuava principalmente na cidade, na periferia do Rio de Janeiro, mas ela dedicou a sua vida a defender os trabalhadores e trabalhadoras injustiçados. A gente se reconhece nela nesse momento por essa mesma compreensão em relação à necessidade de uma transformação social a dedicar a vida para essa mudança”, explica a coordenadora estadual do MST, Tassi Barreto, sobre a escolha do nome.



A militante pontua que Marielle é uma inspiração em vários aspectos para o movimento e que há um reconhecimento também na dimensão de mulher lutadora que rompe muitas dificuldades para poder estudar, se formar e poder ser mãe, uma mulher que “brincava, que amava, que sorria e que lutava”, nas palavras de Barreto.



Nesse sentido, o encontro da luta urbana de Marielle com a luta do campo ganhou outra ponte quando as mulheres do acampamento se reuniram no coletivo As Marielles, com o objetivo de se fortalecer contra a violência doméstica e promover a geração de renda como forma de autonomia, autoestima e resistência das mulheres.



Atualmente são cerca de 30 mulheres que fazem parte do coletivo e que formam uma pequena cooperativa. A partir do saber de cada uma, elas realizam oficinas e confeccionam produtos comercializados em feiras e eventos.







“A gente diz que nós somos as Marielles, porque a identidade enquanto acampamento Marielle e a força que traz essa companheira nos dá garra todos os dias para seguir, mesmo com todas as dificuldades”, afirma Barrreto.



Na favela do Borel, Rio de Janeiro, Blenda Paulino se refere à mesma inspiração de Marielle, “a imagem e a força dela que faz, por exemplo, eu levantar todo dia para lutar e acreditar”. A estudante de economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), de 21 anos, se uniu a outros jovens da comunidade para transformar a dor da perda da vereadora em motor para outras colheitas do seu legado.



“A gente sentiu uma inquietação muito grande, como faríamos com a tristeza que estávamos sentindo e como a gente se moveria dentro do território. Então começamos a nos organizar e estruturar nas lajes para discutir o que seria a política para cada um”, conta Paulino.



Dessa organização surgiu o projeto Brota na Laje – Juventude de Favela, hoje com dois anos de atuação. O projeto cresceu e, além da formação política em torno dos direitos das comunidades, o coletivo oferece cursinho pré-vestibular para mais de 100 adolescentes das favelas da Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro.



O objetivo é contribuir com sonhos de outros jovens por meio da educação e compartilhar a ferramenta de transformação que Paulino e os amigos encontraram ao serem os primeiros das suas famílias a “ocuparem” a universidade.



“Foi uma forma mesmo de continuar dando voz à memória dela e continuar as lutas, que eram tão importantes que me fizeram votar nela. O legado mesmo somos nós, os que já estão e os que estão vindo. É perpetuar mesmo a luta que a gente se faz presente para que outros também possam estar nesses espaços”, aponta a estudante.



Paulino se reconheceu na luta política da Marielle para encontrar seu lugar e começar a ocupar espaços políticos que a contemplassem como mulher preta.



“Hoje nos temos mulheres que coordenam o pré-vestibular do Broto na Laje, são mulheres pretas que estão de frente e estão dentro da sala de aula dando aula, é de uma importância política muito grande. A gente diz que as sementes são estas questões, são essas sementinhas que vão brotando e brotando e vão dando coisas bem boas”, exclama Paulino.



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