1791 visitas - Fonte: Época
“Puto da vida.” Foi assim que Jair Bolsonaro definiu seus sentimentos, em conversa via WhatsApp, com um aliado ao se dar conta de que o novo coronavírus poderia desmobilizar seus apoiadores para as manifestações de 15 de março. Três dias antes, o presidente fizera um pronunciamento oficial em que afirmara que os protestos em sua homenagem deveriam, “diante dos fatos recentes, ser repensados”, pois a saúde deveria ser “preservada”. A palavra “repensar” não fora pronunciada inadvertidamente. Bolsonaro não usara um termo mais contundente porque não queria que as manifestações fossem canceladas.
Ao perceber, nas redes sociais, sinais de desmobilização, mostrou-se irritado, em especial com a bancada de deputados do Rio de Janeiro. Um dos alvos de suas mensagens foi a deputada estadual Alana Passos (PSL-RJ), que divulgou em seu Instagram que a convocação para as ruas seria “adiada” após o pronunciamento do presidente. Ao ver a postagem, Bolsonaro irritou-se e rapidamente enviou mensagens tentando reverter a situação. Bolsonaro temia uma desidratação total do evento.
Por isso, imediatamente cobrou explicações da bancada fluminense e incumbiu o senador Flávio Bolsonaro de questionar os desertores — medida que foi cumprida no dia seguinte aos protestos. Flávio se reuniu com os parlamentares no Rio mesmo diante dos apelos do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, para que, em todo o país, houvesse distanciamento social.
Para impedir o total fracasso no dia 15, em razão do risco sanitário apresentado pelo novo coronavírus, e diante da pressão de Jair Bolsonaro, membros do chamado “gabinete do ódio”, formado por auxiliares de Carlos Bolsonaro — alguns com cargo no Palácio do Planalto — passaram o fim de semana distribuindo no WhatsApp e nas redes sociais convocações para as ruas. Um levantamento das redes feito por um grupo de deputados federais e enviado a ÉPOCA apontou mais de 700 mil disparos feitos no dia 14.
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