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O arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, determinou a surpreendente e drástica transferência do padre Júlio Lancellotti da paróquia São Miguel Arcanjo, na Mooca, onde ele atuou por cerca de quatro décadas, comunicando a decisão por meio de carta na última quarta-feira (10). O documento, que não indica o novo destino do sacerdote, impõe restrições severas: a proibição do uso de redes sociais e a suspensão da transmissão online das missas dominicais, que eram acompanhadas por fiéis de todo o Brasil e do exterior, aumentando ainda mais a perplexidade da medida.
Padre Júlio Lancellotti é amplamente reconhecido por seu incansável e fundamental trabalho junto à população em situação de rua da capital paulista, liderando a Pastoral do Povo da Rua, uma importante iniciativa da Igreja Católica. Sua atuação humanitária inclui a distribuição diária de alimentos, atendimento pastoral e a articulação de diversos projetos sociais cruciais, como a recente Biblioteca Wilma Lancellotti, no Belém, que oferece um acervo de cerca de 3 mil livros e promove atividades de incentivo à leitura para os mais vulneráveis.
Questionado sobre a decisão, o religioso declarou à colunista Mônica Bergamo que Dom Odilo pediu que ele "desse um tempo", sugerindo que seria uma forma de "recolhimento e de proteção", e que ele, como sacerdote, "tem apenas que obedecer". No entanto, a determinação gerou imediata e forte reação de apoio ao padre, com manifestações de fiéis, voluntários e entidades sociais. A jornalista Denise Ribeiro, colaboradora de um dos projetos, levantou publicamente questões sobre as "forças ocultas" por trás da medida, questionando a drástica decisão do arcebispo em fim de mandato, que se aposenta em abril de 2026, e sugerindo possíveis pressões de políticos de direita, incorporadores imobiliários e até mesmo ciúmes pela visibilidade e popularidade do padre.
A decisão de Dom Odilo é ainda mais intrigante por ocorrer no período final de sua gestão e pela falta de transparência e justificativa pública. Até o momento, a Arquidiocese de São Paulo não divulgou nota detalhando os motivos da transferência ou o futuro eclesiástico do padre Júlio. A ausência de explicações oficiais intensifica as especulações sobre a real motivação por trás do afastamento de um dos maiores defensores dos direitos humanos e dos mais pobres da Igreja brasileira.
Apesar da turbulência, ainda não há confirmação oficial sobre possíveis mudanças no funcionamento dos projetos sociais associados ao padre Júlio Lancellotti, nem sobre a continuidade das atividades na paróquia São Miguel Arcanjo após sua saída iminente. A comunidade e a sociedade esperam que o fundamental trabalho de assistência e dignidade do padre com a população de rua não seja prejudicado pela decisão eclesiástica.
Assista ao vídeo:
Soube agora que, por ordens da cúpula da Igreja Católica de SP, as missas de Padre Júlio Lancellotti deixarão de ser transmitidas ao vivo pelo YouTube.
— Katharina Gurgel (@Kathgurgel) December 14, 2025
Soube também que Padre Julio informou, durante a missa, que iria se afastar das suas redes sociais.
Isso é verdade? Estão… pic.twitter.com/YhgUl8eOjE