1277 visitas - Fonte: Folha de São Paulo
A operação da Polícia Federal contra alvos ligados ao bolsonarismo fez aumentar a pressão dos filhos do presidente Jair Bolsonaro em favor da manutenção de Abraham Weintraub na pasta da Educação.
Weintraub é um expoente da dita ala ideológica do governo, que professa no discurso a ideia de uma revolução política de destruição da política tradicional.
Ele e o chanceler Eduardo Araújo são os principais ministros associados ao grupo, que é liderado pelos filhos do presidente, especialmente o vereador carioca Carlos (Republicanos) e o deputado federal paulista Eduardo (PSL), e emula ideias do escritor Olavo de Carvalho, hoje crítico do governo.
O ministro da Educação ficou por um fio no cargo após virar alvo do STF (Supremo Tribunal Federal) no inquérito tocado pela corte que apura a disseminação de fake news. Na reunião ministerial de 22 de abril, Weintraub havia dito que os ministros do tribunal eram "vagabundos" que deveriam ir para a cadeia.
O episódio só fez crescer o embate entre Bolsonaro e o Judiciário. No domingo (14), Weintraub participou de um ato pedindo o fechamento do Supremo e do Congresso, na manhã seguinte ao ataque com fogos de artifício ao prédio da corte por militantes bolsonaristas.
O ministro Dias Toffoli, presidente do STF, fez chegar ao Planalto extrema contrariedade e a ideia de que o diálogo se tornaria impossível entre os Poderes.
Sua cabeça, que já havia sido prometida havia duas semanas como forma de apaziguar as relações pelo Planalto, voltou a ser colocada na guilhotina. Bolsonaro e Weintraub conversaram na tarde de segunda (15), e o presidente disse à noite que estava tentando resolver o "problema" —um discurso ambíguo que convence a poucos.
O ponto é que Weintraub virou um talismã dos radicais bolsonaristas, apesar dos inúmeros problemas de sua gestão à frente do MEC e do fato de que teve de ceder ao centrão uma série de cargos com enormes verbas na pasta no processo de "seguro contra impeachment" que Bolsonaro está operando.
Com isso, a operação contra pessoas como o blogueiro bolsonarista Allan dos Santos nesta manhã de terça (16) inflou o discurso da ala ideológica de não ceder simbolicamente ao Supremo.
Eduardo inclusive repostou, no Twitter, mensagem de apoio a Weintraub feita pelo deputado Daniel Silveira (PSL-RJ), um dos alvos da PF hoje.
Eu, Dani e as crianças recebemos muitas ameaças e agressões. Começaram no Pará e foram aumentando. O ser abaixo, que já estou processando por ter MENTIDO, passou para a próxima etapa: falar em MINHA MORTE abertamente! É uma ameaça, um estímulo a um louco ou "apenas" um desejo? https://t.co/oiA46xkzbU
— Abraham Weintraub (@AbrahamWeint) June 16, 2020