Entre os fatores decisivos que vão ganhar as eleições de 2022 está o antibolsonarismo

Portal Plantão Brasil
17/12/2021 16:48

Entre os fatores decisivos que vão ganhar as eleições de 2022 está o antibolsonarismo

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1434 visitas - Fonte: UOL

Basta pegar a pauta da eleição de 2018 e virar do avesso para se entender a razão da disparada de Lula nas pesquisas depois de reaver seus direitos políticos este ano por decisões do Supremo Tribunal Federal.

Há três anos, o antipetismo produzido pela farsa da Lava Jato em parceria com a grande mídia nacional, junto com a prisão do ex-presidente Lula e a facada de Juiz de Fora, levaram à vitória até então improvável do tenente reformado como capitão pelo Exército, aos 33 anos, depois de planejar atentados terroristas.



Agora, o que move as pesquisas eleitorais é o antibolsonarismo, movido pelo desastre que levou dezenas de milhões de brasileiros de volta à fome ao desemprego causados pelo desgoverno militarizado, incompetente e disfuncional, que até hoje combate a vacinação em massa, mesmo após as mais de 617 mil mortes na pandemia.

Diante deste cenário de terra arrasada, difícil de explicar é como o atual presidente ainda tem 22% de intenções de voto para a sua reeleição, menos do que a metade de Lula (48%), candidato a conquistar o terceiro mandato já no primeiro turno.

Muita gente não consegue entender as razões que levam o ex-presidente a aumentar sua vantagem a cada nova rodada das pesquisas, se ainda nem começou a fazer campanha, ao contrário de Bolsonaro, que não desceu do palanque desde o dia da sua posse.



O que engorda o cacife de Lula é a inevitável comparação entre os dois governos, diante de uma pergunta fatal: você vivia melhor antes, no governo de Lula, ou agora, com o salário (de quem ainda tem) acabando cada vez mais antes do final do mês?

É até covardia comparar os índices econômicos e sociais de 2010, quando o petista encerrou seu segundo mandato, com os de 2021, um tema que certamente será decisivo na próxima campanha. Não será necessário contratar um grande marqueteiro para mostrar isso, nem haverá mágica capaz de provar o contrário. Parece que são números de países diferentes.

O último Datafolha, além de evidenciar esta realidade, enterrou de vez a fantasia da "terceira via", que flopou antes de decolar, a única boa notícia para Bolsonaro que mantem seu núcleo duro para tentar chegar ao segundo turno, se houver.



Até notórios defensores do lavajatismo na imprensa já jogaram a toalha e admitem votar em Lula para evitar a reeleição de Bolsonaro.

A maior resistência à volta de Lula ao poder ainda está no empresariado e nos especuladores do mercado, divididos entre o presidente e o seu ex-ministro Moro, mas como eles não são de rasgar dinheiro, podem mudar de ideia como quem troca de camisa. Em 2002, foi assim, quando a vitória do petista parecia consolidada bem antes das eleições.

Com a economia em frangalhos e o ministro Paulo Guedes desmoralizado, após as suas promessas e previsões furadas, só resta ao presidente radicalizar o discurso e ameaçar virar a mesa, como o general Augusto Heleno, seu grande mentor, já ameaçou fazer esta semana.



Mas com a nomeação do general Fernando Azevedo para a diretoria-geral do Tribunal Superior Eleitoral ficou mais difícil repetir aqui a invasão do Capitólio e tentar melar o jogo, como Donald Trump ousou fazer após a derrota para Joe Biden.

As redes bolsonaristas na defensiva, sem outros argumentos para defender o indefensável, apegam-se à mentira de que, em 2018, os institutos de pesquisa erraram feio ao prever que seu líder não venceria ninguém no segundo turno.

Isso foi antes da facada e da prisão de Lula, quando o petista liderava as pesquisas com folga, como agora. Depois, tudo mudou, e a vitória de Bolsonaro no primeiro e segundo turnos foi, sim, apontada pelas pesquisas.



As circunstâncias que o levaram à vitória já não existem mais. Bolsonaro já não poderá levantar a bandeira do candidato anti-sistema, depois de se aliar ao Centrão, nem a do combate à corrupção, após o rompimento com Moro e o caminhão de denúncias contra o seu governo, zelosamente arquivadas pelo fiel procurador- geral da República Augusto Aras.

Resta-lhe apenas acenar com o "perigo vermelho", o que ficou mais difícil após a aproximação de Lula com o conservador Geraldo Alckmin, em sua correta estratégia de direcionar a campanha para o centro político, deixando sem espaço a "terceira via".

Alckmin pode não acrescentar muitos votos a Lula, mas também não tira, e sua eventual parceria na campanha é importante, como foi a do empresário José Alencar, em 2002.

A Lula não basta vencer as eleições pois sabe que herdará um país destroçado e precisará de alianças para poder governar em paz.

Vida que recomeça?


*Por Ricardo Kotscho
Colunista do UOL



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