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O renomado economista francês Thomas Piketty, em um artigo publicado no Le Monde, faz um apelo contundente para que os países ocidentais abandonem sua postura arrogante e comecem a levar os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) a sério. Em um mundo marcado por transformações rápidas e desafios crescentes, como as recentes tragédias em Gaza, Piketty enfatiza a necessidade de uma nova ordem econômica global que promova justiça e equidade entre as nações.
Piketty destaca a disparidade econômica entre os BRICS e os países do G7, com o PIB combinado dos BRICS ultrapassando os 40 trilhões de euros, em contraste com os 30 trilhões do G7. Ele ressalta que, apesar das diferenças na renda per capita, os BRICS representam uma classe média global emergente e uma força que não pode ser ignorada.
“Todos veem: a guerra em Gaza corre o risco de aumentar ainda mais o fosso entre o Norte e o Sul. Para muitos países do sul, e não apenas no mundo muçulmano, os milhares de mortes de civis devido aos bombardeios israelenses no enclave palestino, vinte anos após as dezenas de milhares de mortes causadas pelos Estados Unidos no Iraque, provavelmente encarnarão por muito tempo os dois pesos e duas medidas dos ocidentais”, afirma Piketty.
O economista aponta as inconsistências dentro do grupo dos BRICS, reconhecendo os desafios, mas sublinha a necessidade dos países ocidentais superarem a visão eurocêntrica. Ele observa que os BRICS, ao aceitarem seis novos membros, estão redefinindo seu papel no cenário internacional.
Piketty alerta para a urgência dos países ocidentais repensarem suas abordagens e tratarem os BRICS com a seriedade que merecem. Ele enfatiza que as críticas às contradições internacionais do grupo não devem ofuscar a importância de suas transformações profundas.
Ao abordar as fragilidades democráticas nos países ocidentais, Piketty destaca a necessidade de ações concretas para restaurar a substituição global. Ele propõe uma mudança no sistema político e econômico global, enfatizando a importância de uma tributação mínima sobre os atores mais prósperos do planeta, com uma redistribuição justa das receitas entre todas as nações.
Piketty ressalta que o foco deve ser na redistribuição com base nas necessidades de cada país, não apenas nas bases fiscais existentes. Ele argumenta que essa abordagem faz uma enorme diferença, especialmente para os estados mais pobres, como os da África, que enfrentam desafios significativos em áreas como saúde e educação.
Ao encerrar sua reflexão, Piketty faz uma alusão à obra “Le Ministère du futur” de Kim Stanley Robinson, destacando a urgência de medidas antes que desastres climáticos forcem mudanças radicais. Ele expressa a esperança de que a ascensão dos BRICS estimule os países ricos a enfrentar os desafios globais e compartilharem a riqueza antes que seja tarde demais.
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