O Estadão enviou um e-mail nesta quinta-feira (16) aos seus jornalistas, revisando as normas internas para a atribuição de crimes em suas reportagens. Essa medida surge após a repercussão negativa de uma matéria que envolveu Luciane Barbosa Farias, injustamente apelidada pelo jornal de “Dama do Tráfico”.
ERRATA DO ESTADÃO É SÓ DA PORTA PRA DENTRO
A direção do Estadão mandou e-mail (10:55) para seus jornalistas na esteira da péssima repercussão sobre a matéria da ‘Dama do Tráfico’. Atribuir crime a alguém? “Só com acesso ao inquérito.”
O comunicado destaca a importância de não imputar crimes a indivíduos baseando-se apenas em informações de terceiros ou fontes anônimas, uma prática que pode levar à disseminação de erros e informações falsas. "É fundamental que nossos profissionais sejam extremamente cuidadosos ao atribuir crimes a pessoas ou entidades", enfatiza o e-mail.
A mensagem também ressalta que, no Estadão, a acusação de um crime só deve ser feita após um acesso direto ao inquérito ou documentos equivalentes, garantindo a veracidade e a precisão das informações publicadas.
Este ajuste nas normas do Estadão é um reflexo da necessidade de um jornalismo mais ético e responsável, especialmente em um contexto onde figuras públicas, como o ministro da Justiça Flávio Dino, são frequentemente alvos de ataques infundados.
Luciane Barbosa Farias, que foi injustamente rotulada pelo Estadão, foi absolvida em primeira instância de acusações de tráfico de drogas e só foi condenada em segunda instância recentemente, recorrendo em liberdade. A falta de clareza do jornal em relação a esses fatos é um exemplo claro da necessidade de maior rigor na verificação de informações.
O jornalista André Shalders admitiu nas redes sociais que a alcunha de "dama do tráfico" para definir Luciane Barbosa Farias, presidenta da Associação Instituto Liberdade do Amazonas, foi inventada por ele a partir da declaração de uma fonte.
Veja:
o repórter @andreshalders, do @Estadao, está tão inseguro de sua "reportagem" que tá respondendo todo mundo no twitter ?? só não respondeu até agora de onde eles tiraram o apelido "dama do tráfico" para uma mulher de preso que nunca foi chamada assim pela imprensa amazonense
A revisão das normas do Estadão é um passo importante para garantir que injustiças não sejam cometidas e que a integridade de indivíduos seja preservada, reforçando o compromisso com um jornalismo justo e imparcial.
Porém, como salientou o jornalista Leandro Demori, é preciso notar que a ERRATA foi feita internamente. Não houve um DESMENTIDO por parte do jornal, como se espera que um veículo sério faça.
*Com informações da Revista Fórum
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