212 visitas - Fonte: Plantão Brasil
A trajetória do Banco Master, que culminou na prisão de seu controlador Daniel Vorcaro e em prejuízos bilionários para mais de 1 milhão de investidores, revela um dos capítulos mais sombrios da gestão de Roberto Campos Neto à frente do Banco Central. Entre 2019 e 2024, a autarquia ignorou sucessivos alertas técnicos e permitiu que uma instituição combalida operasse um esquema agressivo de captação de recursos. Mesmo com dezoito ofícios apontando irregularidades contábeis, o BC de Campos Neto manteve o banco funcionando, agindo com uma complacência que agora é alvo de repúdio por todos que defendem a seriedade das instituições públicas.
O crescimento do Master foi alimentado pela emissão desenfreada de CDBs com taxas irreais, atingindo a marca de R$ 40 bilhões em 2024. Enquanto técnicos do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) já avisavam desde 2023 que uma "bomba" estava prestes a explodir, a cúpula do Banco Central mantinha uma proximidade escandalosa com Vorcaro. Foram 38 reuniões entre o dono do banco e diretores do BC, incluindo encontros diretos com Campos Neto para tratar de precatórios. Em vez de fiscalizar, a diretoria de Campos Neto chegou a debochar do mercado, alegando que os alertas sobre os riscos eram fruto de "inveja" pelo crescimento da instituição.
A omissão do Banco Central permitiu que o Master adquirisse outras instituições financeiras e continuasse enganando investidores comuns sob o falso pretexto de segurança regulatória. A crise de liquidez só foi tratada como emergência no apagar das luzes da gestão de Campos Neto, que concedeu prazos benevolentes a um banco que já não tinha caixa para honrar R$ 50 bilhões em títulos. A saída estratégica de Campos Neto do BC para assumir um cargo executivo no Nubank — que hoje responde judicialmente por omitir os riscos desses mesmos títulos — levanta suspeitas graves sobre as reais motivações de sua gestão.
Para o campo progressista, que sempre criticou a "autonomia" de fachada do BC para servir ao mercado financeiro, o caso Master é a prova de que a gestão anterior trabalhava para favorecer amigos do poder enquanto colocava o patrimônio do povo em risco. Vorcaro, com histórico de atingir fundos de pensão públicos, encontrou no BC de Campos Neto o ambiente perfeito para expandir seus negócios obscuros. O resultado foi um colapso que atravessou os Três Poderes, expondo a falência moral de um modelo regulatório que prioriza o lobby em detrimento da fiscalização rigorosa e do bem-estar social.
Agora, com o novo governo federal e a mudança na liderança do Banco Central, a expectativa é que todas as reuniões e decisões tomadas por Campos Neto e sua equipe sejam minuciosamente investigadas. O apoio do PT à CPI do Banco Master reforça o compromisso em passar a limpo essa rede de influência que causou um prejuízo sem precedentes. É fundamental entender por que o Banco Central insistiu que "estava tudo sob controle" enquanto a maior fraude bancária recente do país era montada debaixo do nariz dos reguladores, sob a batuta de um indicado pelo bolsonarismo.
O caso Master não é apenas uma falha técnica, mas o retrato do desgoverno que assolou o Brasil até 2022, onde o rigor fiscal só existia para cortar direitos do povo, enquanto para os grandes esquemas financeiros havia tolerância infinita. A prisão de Daniel Vorcaro em 2025 é apenas o início da prestação de contas. A sociedade brasileira exige que a responsabilidade de Roberto Campos Neto e de seus diretores seja apurada com o máximo rigor, garantindo que o Banco Central nunca mais seja usado como balcão de negócios para aventuras financeiras criminosas.
Com informações do DCM
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