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Guerra cultural, doutrinação, globalismo, família, armas e ideologia woke são alguns dos tópicos abordados no curso Formação Conservadora, criado pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Os jornalistas Andrea Dip e Niklas Franzen se matricularam no curso para entender sua metodologia e público. O resultado é apresentado em um dossiê da Fundação Heinrich Böll, lançado nesta quinta-feira (11).
Estratégias como esta são parte do movimento ultradireitista que se fortalece globalmente e ameaça a democracia, inclusive no Brasil. A apresentação do curso destaca o objetivo de formar líderes conservadores para a chamada "guerra cultural". O lema do projeto é: "Há uma guerra em andamento, e o Brasil precisa de você". O curso é 100% online, com conteúdos de áudio e vídeo, e custa R$ 598,80. A meta, segundo a plataforma, é “retomar todo o espaço que foi ocupado pela esquerda: política, universidades, escolas, comunidades locais”. Entre os participantes, a maioria tem mais de 50 anos e é composta majoritariamente por homens.
“O curso deturpa a História desde a criação do universo até a ditadura militar no Brasil, passa por um revisionismo da geopolítica, da ciência e das teorias de gênero e feministas, tenta minimizar o racismo, aponta a comunidade LGBT+ como ameaça e vê a educação formal como uma ameaça à família”, analisam os jornalistas autores do dossiê.
Eduardo Bolsonaro se apresenta como alguém articulado com a direita mundial, próximo do primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán; de Marine Le Pen (França); de Javier Milei (Argentina) e de Donald Trump (EUA). “Os conceitos disseminados pelo curso reverberam o pensamento da extrema direita mundial. Não à toa, Eduardo é convidado a falar em congressos internacionais importantes como o CPAC [Conservative Political Action Conference],” destaca o relatório.
A guerra cultural é um dos conceitos centrais do curso, com menções às ideias sobre hegemonia cultural de Antonio Gramsci, mas interpretadas através de Olavo de Carvalho, considerado líder do pensamento da extrema direita no Brasil. “A esquerda largou as armas e foi para cima dos livros”, diz Eduardo.
O deputado define a esquerda como “muito bem articulada”, que usa “estruturas poderosas” para manipular a população. O curso sugere que as pessoas podem se tornar socialistas sem perceber, por influência cultural. Para Eduardo, essa é “uma guerra de longo prazo”. Um dos convidados deste módulo é Mário Frias, que foi secretário da Cultura no governo Bolsonaro. “Eles [da esquerda] dominaram corações e mentes ao longo de 30 anos”, diz Frias.
Os jornalistas destacam que esta narrativa é central na propaganda ultradireitista mundial: a ideia de que a ideologia woke “domina grande parte das sociedades ocidentais e isso torna a resistência conservadora necessária”. O termo se refere a políticas que defendem igualdade racial e social, feminismo, o movimento LGBTQIA+, o uso de pronomes de gênero neutro, o multiculturalismo, a vacinação, o ativismo ecológico e o direito ao aborto.
Com informações do Brasil 247
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