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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), busca fortalecer sua imagem para as eleições de 2026 com a recente privatização da Sabesp, a maior empresa de saneamento do Brasil.
Com 28,4 milhões de clientes em 375 municípios, a Sabesp é uma das maiores do mundo no setor. A venda de 32,3% das ações da companhia, concluída em 22 de julho, arrecadou R$ 14,8 bilhões, superando a procura por ações da Petrobras. No entanto, muitos temem que essa medida resulte em tarifas mais altas e piora no acesso aos serviços de água e esgoto, que deveriam ser garantidos pelo estado.
A mudança foi impulsionada pelo Marco do Saneamento, aprovado há quatro anos, que visa atrair investimentos privados para o setor e estabelece metas ambiciosas de cobertura de água e esgoto até 2033. O objetivo seria melhorar as redes de esgoto em áreas carentes e combater doenças associadas à falta de saneamento. No entanto, a Sabesp já cobre 98% da população com abastecimento de água e 93% com coleta de esgoto. Uma pesquisa de abril revelou que 52% dos paulistas eram contra a privatização, enquanto 36% eram a favor.
Privatização em Berlim: um alerta
Experiências internacionais, como em Paris e Berlim, mostram que a privatização de serviços de saneamento nem sempre é bem-sucedida. Em Berlim, a privatização parcial da Berliner Wasserbetriebe (BWB) em 1999 foi revertida 13 anos depois devido ao descontentamento público. Durante a privatização, as tarifas de água aumentaram 37%, fazendo de Berlim a cidade alemã com o custo mais alto de água. A reestatização trouxe maior transparência e investimentos mais sustentáveis, embora a recompra das ações tenha sido cara para o governo.
O erro de Tarcísio na privatização da Sabesp
No Brasil, Tarcísio de Freitas prometeu a privatização da Sabesp durante sua campanha e iniciou os estudos após assumir o governo. Em vez de vender a companhia integralmente, decidiu transferir a gestão para um acionista de referência, reduzindo a participação do estado de 50,3% para 18%. A única empresa interessada em se tornar acionista de referência foi a Equador, que adquiriu suas ações por R$ 6,9 bilhões. A venda pulverizada arrecadou R$ 7,9 bilhões, com a maior parte comprada por fundos nacionais e internacionais.
Críticas ao processo
A privatização da Sabesp recebeu oposição de funcionários, entidades civis e partidos. Francisca Adalgisa, presidente da Associação dos Profissionais Universitários da Sabesp, argumenta que não há justificativa para a mudança no controle acionário da empresa, que já é lucrativa e atinge metas de universalização de serviços. Ela antecipa uma possível redução na qualidade do atendimento devido à terceirização de serviços na gestão privada, que frequentemente resulta em alta rotatividade de pessoal e baixos salários.
Perda para os cofres de São Paulo
A privatização da Sabesp resultou em uma perda de pelo menos R$ 4,5 bilhões para os cofres do estado. Adalgisa critica o processo, realizado de forma apressada e direcionada, e destaca que tanto a Ondas quanto o PT tentaram impedir a privatização por vias judiciais, mas sem sucesso. Na sexta-feira, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luis Roberto Barroso, negou uma liminar que visava suspender o processo.
Com informações do DCM
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